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Reflexões dos participantes do curso Aperfeiçoamento da Formação do Brinquedista

A partir de uma provocação feita aos cursistas de nosso mais recente curso, encerrado em 10/julho/2021, para livremente escolherem um dos temas desenvolvidos no programa e se debruçarem sobre ele, individualmente ou em grupo, recebemos varias e preciosas manifestações, as quais registramos neste espaço publico de trocas.


REFLEXÃO

Autor: Carla Manuella de Oliveira Santos

O meu exercício de reflexão se deu por meio do processo que estou vivenciando de implementação da brinquedoteca na Universidade, pensando em um espaço chamado o LABORATÓRIO DO BRINCAR E DOS BRINQUEDOS: um lugar para os “exercícios de ser criança” (Manoel de Barros).

A estruturação do projeto se deu a partir das aulas no Curso “Aperfeiçoamento na formação do brinquedista”, por meio das aprendizagens e atividades, oportunizando pensar o lugar da brinquedoteca universitária a partir da diversidade e inclusão, pensando junto com o que diz o poeta Manoel de Barros, que “as coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis: elas desejam ser olhadas de azul – que nem uma criança que você olha de ave” (BARROS, 2010, p. 302).

Nesse sentido, o poeta Manoel de Barros foi escolhido para fazer a reflexão e apresentação das minhas aprendizagens no Curso, por ser inspiração, também por nos convidar para um “olhar azul”, convocando para um modo de pensar e fazer na educação que proporciona sair do razoável e andar por horizontes, onde os “exercícios de ser criança” nos levam para espaços onde visualizamos, no brincar e nos brinquedos, as “estéticas do milagre”, os espaços de ser criança.

A ABBri possibilitou esse “olhar azul”, o olhar para os exercícios de ser criança e compreendo a necessidade de ampliar a presença de brinquedotecas para que possamos desenvolver o ser brincante, permitindo aos bebês, à criança pequena, ao adolescente, ao adulto, ao idoso, o brincar livremente, criando suas próprias estratégias, tendo liberdade de escolha, de tomada de decisão, que não sejam dirigidas por terceiros, mas que desenvolvam o caráter gratuito que o brincar proporciona.

Uma brinquedista em aprendizagem... Gratidão!


REFERÊNCIAS

BARROS, Manoel de. Poesia completa. 5ª Ed. São Paulo, SP. Leya, 2010.

Associação Brasileira de Brinquedotecas. Aperfeiçoamento na formação do brinquedista. Curso Remoto, módulo II. Junho – 2021.


CESTA do TESOURO

Autora: Maria Vitória Hoffman

Cesto com objetos é importante recurso para ampliar a experiência da criança com a exploração sensorial e autônoma onde usa os sentidos para manipular, explorar e experimentar os objetos e entender o mundo em que vive. Nela podemos colocar objetos de nosso cotidiano com texturas, cores, formas e materiais variados, observando sempre a segurança da criança com os objetos.












A Pedagogia da Emergência foi o tema inspirador para este tocante depoimento das alunas deste grupo, composto por:

Alba Reis David - Eunápolis/BA: Historiadora e Brinquedista; Aline Fraga - Salvador/BA: Profissional de Educação Física, Especialista em Educação Física Escolar com Ênfase em Aventura e Ludicidade e Brinquedista; Alzira Sá - Belford Roxo/RJ: Pedagoga, Mestrando em Políticas Públicas, graduanda em Psicologia e Brinquedista; Ana Karyne - Serra/ES: Doutoranda em Educação-UFES e Brinquedista; Denise Tostes - Valinhos/SP: Bacharel em Comunicação Social, pós graduada em Jornalismo Cultural, Licenciada em Letras, graduanda em Pedagogia e Brinquedista; Rosane Maria da Silva Teodoro - Belo Horizonte/MG: Pedagoga e Psicopedagoga Clínica Institucional, Recreadora Educacional, Hospital Infantil João Paulo II.

Introdução: Apresentamos a todos vocês um cesto. Para nós esse singelo objeto, partindo da Pedagogia da Emergência, representa uma Pedagogia da Maternagem. Nos tempos antigos, o cesto era utilizado para carregar as crianças como uma extensão corpórea do ventre materno. O cesto está no princípio da criação do homem, que dele provém. Nesse tempo vivido em meio a uma pandemia mundial, compartilhamos um cesto trançado por muitas mãos que se unem para ser com o outro em meio às vicissitudes da vida. Nesse emaranhado de sentidos, de experiências, nos constituímos mundo, planeta terra e mães. Nesse momento, nossas mãos se estendem como ato de doação, de doar-se ao outro em sua emergência… e deixamos aqui um pouquinho de nós, na certeza que levamos conosco um tanto de cada um de vocês!

Experiências pessoais:

Alba - Durante esse processo de isolamento social, convivendo com uma criança de 7 anos que se encontra na fase de alfabetização, sendo essa uma filha dedicada a aprender. Tivemos que juntar, criar e recriar atividades lúdicas, através dos recursos cabíveis em nosso dia a dia. Seguem alguns momentos dessas vivências nossas. Exemplos: BRINCAR DE CASINHA, CRIAR JOGOS COM MATERIAIS REUTILIZÁVEIS, IR A PRAÇA DA LAGOA, PEDALAR DE BIKE, ENTRE OUTRAS ATIVIDADES DE MOVIMENTO DO CORPO E DA MENTE.

Aline - Com dois filhos adolescentes (16 e 14 anos), precisei, em primeiro lugar, contornar a frustração dos meus filhos: o de 16 anos, que cursa o ensino médio e reside na própria escola, no Rio de Janeiro, mas foi necessário retornar ainda em março de 2020, e minha filha de 14 anos, que começava a criar laços sociais, depois da última mudança um ano e meio antes. E então vieram as adaptações e adequações para organização dos horários de todos, que a partir daquele momento, estudavam, trabalhavam e residiam em um só local: a casa. E apesar de tanto tempo juntos dentro de casa, ficou claro que estávamos isolados cada qual em seus espaços e compromissos, então criei momentos de lazer em família, com montagem de quebra cabeças, jogos de carta, jogos de tabuleiro entre outros, buscando integração da família e tirando-os do mundo virtual por alguns momentos do dia. O resultado foi melhor união da família e até a percepção de todos (empatia) sobre os medos e ansiedades que cada um carrega, além do enfrentamento coletivo da pressão do momento tão incerto e assustador.

Alzira - Sou mãe de três meninos. Um menino de 18 anos e duas meninas, de 12 e 10 anos. Emocionada com as memórias e os avanços diante dos desafios enfrentados, deixo minha contribuição neste cesto que representa tanto para cada um e cada uma de nós…. Naquela sexta-feira 13 de março de 2020, a pandemia iniciou seu ciclo de incertezas, dores e isolamento. O medo da perda rondava minha casa que se encontrava sob forte tensão emocional devido ao diagnóstico de câncer de mama o qual havia recebido recentemente. Foi na literatura, no brincar juntos e na arte que encontramos um caminho para nos reinventar vivendo um dia após o outro. Meu filho de 18 anos, se dedicou a animar nossas tardes ao som do violão. Minha filha de 12 anos nos apresentou o livro “Mamãe tá careca”, de Juliana Vermelho Martins e depois escolheu o “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry e tradução de Frei Betto para nossas rodas de leitura. E foi nos trabalhos manuais, com muitas cores, linhas, fitas, miçangas, pérolas e outros materiais, que minha caçula deu vida a muitas peças lindas. Surgia assim nosso ateliê. Desta forma se deu a pedagogia da maternagem por aqui, entrelaçada à Pedagogia da Emergência, fazendo a vida seguir seu rumo e nos trazendo até aqui.

Ana Karyne - Ser mãe de um garoto de 12 anos que brinca na rua. Impotência, é a palavra que define o confinamento. Minha alternativa era proporcionar alegria. Aproveitamos as lives sertanejas para ir para a cozinha e cozinhar juntos. Nunca assisti tanta televisão, comer nem se fala. Engordamos sim, mas nos preenchemos também de afeto.

Denise - Convivendo com uma criança de quase 3 anos durante a pandemia nos trouxe o desafio de pensar atividades diversificadas que estimulassem o desenvolvimento cognitivo, sensorial e motor e que ao mesmo tempo fossem utilizados materiais simples do dia-a-dia. Para isso, aqui em casa criamos fantasias com caixa de papelão, boliche de garrafinhas de água, brinquedos de encaixe feitos com cápsulas de café, bonecas de papel que trocam de roupas também de papel, dentre outros. Minha filha participou de toda a confecção dos brinquedos, cortando, colorindo e colando. Além dessas brincadeiras o contato com a natureza foi essencial para que passássemos pela pandemia de forma mais tranquila, através de montagem de horta em vasos, brincadeira com terra e pedras e tomar um pouco de sol todos os dias.

Rosane - Durante a pandemia, com a brinquedoteca do HIJPII fechada, o atendimento se deu através da entrega de brinquedos nos leitos; para isso, os brinquedos foram confeccionados a partir de materiais reutilizáveis. Desta forma, criamos oportunidade de mediar o brincar dentro das enfermarias, já que as recreadoras faziam murais e lembrancinhas para recordações afetivas de datas comemorativas como carnaval e festa junina, incentivando assim os brinquedos e as brincadeiras. Foi feito também uma cápsula do tempo, onde encontramos uma forma de lembrar e documentar este período de tantas mudanças, para que eles pudessem se expressar e imaginar um futuro mais tranquilo.


Finalização: A pandemia surpreendeu o mundo. De uma hora para outra fomos obrigados a fugir do que melhor fazemos enquanto humanos, que é a socialização e a interação, e nos isolamos em casa. Foi necessário, rapidamente, buscar formas de manter as interações sociais e de trabalho, e nos reinventarmos, aprendemos e seguimos da melhor forma, usando, sobretudo, o meio virtual. As famílias precisaram manter as crianças e adolescentes ativos e saudáveis, física e emocionalmente, em meio à pandemia. As mães, que são a referência familiar para tantas atividades, foram as mais desafiadas e sobrecarregadas. Nos relatos aqui reunidos, percebemos que esse grupo de mulheres, mães, brinquedistas e formadas em diferentes áreas profissionais, tiveram dificuldades em aplicar suas habilidades e conhecimentos.

Fica a reflexão sobre a importância do fomento ao brincar e do conhecimento sobre a pedagogia de emergência, pois se estas mães tiveram suas dificuldades, imaginemos o tamanho da dificuldade de tantas outras mães em tantos outros lares pelo mundo.


„CAIXA DE ADIVINHAÇÕES

Autoria de Heloisa Cardoso Varão Santos. São Luís – Maranhão

Esta atividade pode ser desenvolvida com crianças da Creche, integrando a literatura a musica e a brincadeira a fim de enriquecer um tema.


Objetivos :

  • Ativar a memória e o raciocínio lógico na descoberta das características das frutas .

  • Demonstrar atenção e capacidade de verbalização.

Como brincar :

  • A brincadeira será feita após a contação da história “A cesta de Dona Maricota" de Tatiana Belinky, em forma de adivinhações poéticas. Depois de dizer a adivinhação, a criança, de olhos vendados, vai pegar na caixa a fruta e a primeira que for tocada será retirada e você confirmará se está respondendo a adivinhação ou não e assim vai passando a caixa para outra criança até acertar.

Material: cesta com frutas, como maçã, pera, banana, laranja, mexerica. Outras frutas regionais foram acrescentadas nas "adivinhações poéticas", pela autora: cupuaçu, buriti-acerola, jacama, manga.


BAÚ DOS TESOUROS - PARA O CANTINHO DOS BEBES.

Autoras: Marilde Chaves e Carla Andrea Silva (UFPi).

Outra proposta baseada na concepção do Cesto dos Tesouros, como oportunidade de brincadeira e aprendizagem para os bebes, foi apresentada por Marilde Chaves e Carla Andrea Silva que, como professoras da Universidade Federal do Piauí, organizam e coordenam uma brinquedoteca universitária. A composição escolhida para este Baú foi a de objetos do contexto doméstico, em diferentes formas, tamanhos, texturas e materiais, inclusive permitindo encaixes e movimento.





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